sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A casada mal-comida

O terror das separadas pode ser a delícia da casada mal-comida. A casada mal-comida ora todos os dias por um casado sem vergonha, disponível para uma fantasia e nada más.
Ela tem baixa estima (afinal, é mal comida) e se delicia com quaisquer migalhas de atenção masculina, ainda que em ambientes insalubres, como escritórios, filas de teatro infantil e caixas de restaurante por quilo.
É muito facil reconhecer uma casada mal comida. Ela tem flertes platônicos com prestadores de serviço (como contadores e mocinhos da informática), é sempre simpática e às vezes erra a mão no decote ou na maquiagem.
A casada mal-comida de boa cepa não flerta descaradamente com ninguém e dá margem a poucos comentários. Mas ela almoça em lugares despretensiosamente escondidos com uma companhia que tenha algum potencial, faz longos serões no trabalho para poder ligar com calma para aquele rapaz que precisa de um ombro amigo, lança discretos olhares lânguidos para o professor do mestrado, leva uma bobaginha pro colega de trabalho, manda emails ambíguos quando o terreno é desconhecido.
A casada mal-comida não é uma resignada. Não, não. Ela é uma evolução pokemón da romântica clássica. Ela não acredita em príncipes. Casa-se com um homem que faz o estilo 'parceirão', que pega as crianças na escola, lava a louça, vai ao teatro e discute filosofia. E com quem transa a cada quinze dias, enquanto pensa em orgias inenarráveis.
I-ne-nar-rá-veis.
A casada mal-comida é uma proto-ninfomaníaca, em geral, mal sucedida.
Ela espera ser salva por uma paixão cafajeste, entre lençóis, em tardes mornas e hotéis sinistros.
Mas a vida não é bonita pra ela. Os homens olham para a aliança, o porta retrato do filho na mesa de trabalho, os quilos ganhados na dura labuta de manter um vida conjugal interessante à base de comida, a leve breguice ao se vestir... e simplesmente, sorriem apiedados. E, às vezes, há aqueles que depois de um email calorosamente sugestivo, arrematado por um "beijo" sussurado no fim da página, lhe respondem friamente com algo como "um abraço e até".

7 comentários:

  1. Mas desde quando paixão cafajeste salva? É só uma droga (das boas) pra fugir do calvário do dia a dia, não é?

    ResponderExcluir
  2. Vocês são muito boas!
    (Não, isso não é uma cantada.)

    ResponderExcluir
  3. A mulher aprende a odiar na medida em que desaprende a fascinar - FWNietszche no livro Além do Bem e do Mal.

    ResponderExcluir
  4. Caracas...
    Vi minha mulher em vários trechos do conto, tenho que melhorar minha performance

    ResponderExcluir
  5. E não é que é assim mesmo, me identifiquei com alguns trechos.
    vida de casada é dureza e olha que eu tento inovar, mais ele me diz que eu tó esperta d+++++++: ai termino ficando super frustada.

    ResponderExcluir
  6. pypsydi hotmail.com19 de janeiro de 2012 12:49

    Que droga, é bem isso!
    E o que fazer? Meter um pé na bunda é muito desgastante!
    Ele é muitoooooooooooo devagar, acho que farei voto de castidade, já estou fazendo 37 anos, 2 filhos...pra que fazer mais sexo? Já estou tanto tempo sem que passar o resto da vida na castidade não me parece tãooo má ideia!
    Ele que literalmente se fida no melhor estilo 5 contra 1! Já faz isso ais rodos que eu sei!
    Vou buscar realização e prazer em outras coisas!!!
    Pronto! Não dou mais!
    Tô certa ou tô errada???
    Hein??

    ResponderExcluir
  7. Me identifiquei completamente... sou uma casada mal comida, ou melhor, uma casada praticamente nao comida, a diferença eh que nao sou gorda, nem brega, pelo contrario, so tenho 30 anos, sou linda, bem cuidada, tenho 3 filhos, malho todos os dias, vivo bem vestida, mas mesmo assim meu marido nao me come direito, entao sempre procuro fora homens pra me darem esse prazer negado em casa. Separar? Nunca, com 3 filhos so vou me dar mal, deixa como esta!

    ResponderExcluir